Fernando Pessoa a transformou, segundo seus dons e
necessidades artísticas, em expressão de sua condição espiritual:
” Viver não é preciso; o que é preciso é criar.”
Quanto ao “homem presente, do tempo presente,
da vida presente”, pode-se afirmar:
Viver é Preciso!
Navegar; Também é Preciso!
Pois, o Viver é precioso!
Sem navegar não é possível viver!
Viver
Sobreviver!
Sobreviver
Viver!
E acrescenta-se então, Conviver!
Pois é tão preciso quanto….
Não se pode esquecer,então, do poeta que fez, outrora,
seus versos filosofarem a esperança na boca de muitos
pela capacidade de incitarem a esperança de tempos vindouros:
” Viver e não Ter a vergonha de ser feliz….
cantar e cantar e cantar, na certeza de ser um eterno aprendiz!”
O homem sempre precisou aliar o trabalho à vida e a
vida ao trabalho, não se sabe com que prioridade.
Sempre se viu o sol ressurgir, após uma noite tempestuosa.
E a cada tempestade, o homem interrogar- se:
Até quando navegar?
Até onde navegar?
Qual a melhor rota para não se perder,
em meio às intempéries que o viver proporciona?
E, ao contrário, torná-las aprendizado para
eternos aprendizes que não se cansam da melodia
das águas: ora suaves; ora aterrorizantes.
O homem trabalha…navega
O homem vive…se entrega
O homem convive…
Carrega!
Carrega as crueldades do mundo, carrega a concorrência
entre os homens, carrega as incertezas da vida,
o medo de não navegar o quanto é preciso
e não viver o quanto precisa.
Eis a lástima na qual o homem se encontra:
Há tantos sonhos pra sonhar…
Há tanta garra em seu querer…
Ele navega e vive…
Ora vive…ora navega…
Mas nunca desiste de viver e navegar,
Ainda que, às vezes, mais navega do que vive.
Porque é assim que a sociedade mecanizada exige.
Preso em seu barco, o homem sente medo de navegar
Preso nas grades de seu viver, o homem é ameaçado de poder navegar.
Toda navegação carrega guarnições que, aos olhos de outros homens
, valem mais que o próprio homem.
Todo navegar exige coragem para ousar a águas desconhecidas,
que depois de conquistadas enobrecem o bom navegador,
que deseja, após sua conquista, voltar pra casa e sentir
a merecida sensação de viver com dignidade.
Assim, ele é o aprendiz que procura conciliar a alegria
da missão cumprida no trabalho com a primorosa
convivência com seus companheiros, diretos ou indiretos, de navegação.
Essa é a difícil empreitada que começa, recomeça,
se transforma e toma forma como o barro na mão do oleiro.
Por isso há de se pensar que o momento presente é único
para erguer os braços, que estão, confortavelmente cruzados,
diante da violência abrupta que impede o homem de
permitir-se Viver, além de navegar e de Navegar para Viver.
É sempre bom lembrar que o bravo navegador não
desiste diante dos temporais, mas sabe reconhecer a
grandeza do tempo e respeita o poder das águas,
o que o torna merecedor do respeito daqueles que se
acovardaram diante das primeiras gotas da chuva e
esconderam seus sonhos nos porões dos navios alheios.
Navegar é preciso! Viver é ainda mais preciso!
Quem navega com a atitude de quem quer viver,
torna-se honrado pelo mérito da persistência que
o levará à condição de aprendiz bem sucedido na arte de ser feliz.
Aos que se fazem empecilhos diante da Vida de um navegador honrado,
seja pela violência da carne ou do espírito, cabe-lhes a justiça,
que a pé ou a cavalo costuma chegar, pois ela não sabe ou não
quer agir com a mesma rapidez das navegações
, tampouco com a bravura dos navegadores.
E, devido a essa velocidade de ação será preciso que todos os
navegadores deste país se unam com fidelidade à crença de que:
Quem navega, merece viver!
E viver como se cada dia que se levanta fosse
o último e cada rota fosse a primeira.